Réveillon de Paripueira ganha destaque internacional e se consolida como exemplo de celebração inclusiva com fogos de baixo impacto sonoro

Réveillon de Paripueira ganha destaque internacional e se consolida como exemplo de celebração inclusiva com fogos de baixo impacto sonoro

Eventos e CulturaQuando o relógio marcou a meia-noite, mais uma vez se repetiu, em algumas cidades europeias, um ritual difícil de ser abandonado. Mesmo diante de decretos que proíbem fogos ruidosos, o céu se iluminou ao som de explosões estridentes, rompendo o silêncio da noite com estampidos previsíveis. O resultado também foi o de sempre: animais domésticos em pânico, idosos incomodados, crianças assustadas e uma enxurrada de críticas nas redes sociais. Um roteiro já conhecido, que ano após ano reabre o mesmo debate entre leis ignoradas e fiscalizações quase impossíveis.

Enquanto essa discussão se arrasta em muitos lugares, do outro lado do Atlântico surge um exemplo que chama atenção e inspira reflexão. No Brasil, mais precisamente em Paripueira, destino turístico do litoral de Alagoas, a cerca de 30 quilômetros de Maceió, o Réveillon ganhou repercussão internacional ao adotar uma abordagem mais consciente, humana e inclusiva para celebrar a virada do ano.

Quem relata essa experiência é Alberto Pazzaglia, músico e autor do sucesso Ciapa la Galeina, que passa a temporada de inverno europeu em solo brasileiro. Vivendo o que ele mesmo define como um “Natal tropical” — título, inclusive, de sua nova canção, Alberto testemunhou de perto uma mudança cultural que vai além da estética do espetáculo.

Em Paripueira e em diversas cidades brasileiras, especialmente no estado de Alagoas, os tradicionais fogos barulhentos vêm sendo substituídos por fogos de artifício com redução significativa de ruído. O impacto visual permanece grandioso, colorido e emocionante. O que muda é o som: os níveis de decibéis são cuidadosamente controlados para evitar estresse, sofrimento e danos desnecessários.

“Essa escolha nasce de uma atenção maior às pessoas e aos animais”, explica Alberto. “É um gesto de respeito à fauna, aos pets e também aos grupos mais sensíveis, como idosos, crianças e pessoas com hipersensibilidade auditiva ou dentro do espectro autista.” No Brasil, essa preocupação já se transformou em política pública em várias regiões, com leis que restringem a venda e o uso de fogos ruidosos, incentivando espetáculos pirotécnicos mais responsáveis e inclusivos.

O contraste com a realidade de muitas cidades europeias, e também brasileiras, é inevitável. De um lado, a insistência em tradições cada vez mais questionadas; de outro, a coragem de evoluir sem abrir mão da celebração. Paripueira mostra que é possível comemorar com beleza, emoção e alegria, sem que isso signifique perturbar, ferir ou excluir.

Talvez a grande lição seja simples e poderosa: celebrar não precisa ser sinônimo de barulho. Do Brasil, neste início de ano, ecoa uma mensagem clara de empatia e progresso. Cabe ao resto do mundo decidir se está disposto a escutá-la.

A matéria italiana está disponível em: https://lavocedicesenatico.it/botti-a-cesenatico-dal-brasile-una-lezione-di-civilta-i-fuochi-silenziosi-che-rispettano-tutti/

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